CIDH reitera su preocupación por la tesis jurídica del "marco temporal" en Brasil y su impacto para los pueblos indígenas y tribales

 

Comunicado de prensa 219 / 21   |  PT  

 

La CIDH reitera su preocupación por la tesis jurídica del "marco temporal" en Brasil y su impacto en los derechos humanos de los pueblos indígenas y tribales

 

23 de agosto de 2021

 

Washington D.C. - La Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) reitera su preocupación por la tesis jurídica del "marco temporal" y advierte que esta podría tener graves afectaciones al derecho a propiedad colectiva de los pueblos indígenas y tribales de Brasil. Por lo anterior, la Comisión recuerda los estándares interamericanos aplicables en la materia en el marco de los procesos judiciales en curso.

En su última visita in loco a Brasil, la Comisión tomó conocimiento del desarrollo y aplicación de la tesis jurídica conocida como "marco temporal" por parte del STF. De acuerdo con este enfoque, en las demandas respecto del derecho a propiedad colectiva, los pueblos indígenas solo tendrían derecho a aquellos territorios que estuvieran ocupados en el momento de la promulgación de la Constitución Federal de 1988.

En su reciente informe Situación de derechos humanos en Brasil, la CIDH resaltó que dicha tesis ha sido aplicada por tribunales federales en diversas decisiones, conduciendo a la cancelación de procesos de demarcación. En particular, la Comisión destacó los casos de las tierras Limão Verde y Buritim, del pueblo Terena, así como la tierra Guyraroká del pueblo Guaraní kaiowá, todas en el estado de Mato Grosso do Sul. Asimismo, la Comisión notó que, en 2018, el STF aplicó la tesis del marco temporal respecto del territorio indígena de Guyraroká, anulando procesos de demarcación iniciados por medio de un informe de identificación y delimitación de 25 de noviembre de 2004. En este último caso, la Comisión recibió información, durante su visita de 2019, según la cual la comunidad permanece afuera de la mayor parte de su territorio, ocupando actualmente menos de 5% del área identificada, con el riesgo inminente de ser desalojada.

Al respecto, la CIDH reafirma que la aplicación de dicha tesis contradice normas internacionales e interamericanas de derechos humanos, en particular la Convención Americana sobre Derechos Humanos y la Declaración Americana sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas. En particular, porque no toma en consideración los innumerables casos en que los pueblos indígenas fueron desplazados de sus territorios de manera forzada, muchas veces con extrema violencia, razón por la cual no se encontraban en ocupación de los mismos en 1988.

La CIDH recuerda al Estado su deber de protección del vínculo que los pueblos indígenas y comunidades afrodescendientes tradicionales o tribales, como las quilombolas, guardan con sus tierras y territorios, así como con los recursos naturales y los elementos incorporales que se desprendan de ellos. Como ha señalado la Corte Interamericana, debido precisamente a esa conexión intrínseca que los pueblos indígenas y comunidades tribales tienen con su territorio, la protección del derecho a la propiedad colectiva, uso y goce sobre esta, es necesaria para garantizar su supervivencia. Además, recuerda que la Corte ha establecido que los pueblos indígenas y tribales que pierdan la posesión total o parcial de sus territorios mantienen sus derechos de propiedad, sin límite temporal en la medida que subsista su relación fundamental con su territorio ancestral.

Por consiguiente, la Comisión Interamericana llama al Estado de Brasil, en particular al Supremo Tribunal Federal, a adoptar las medidas necesarias para revisar y modificar disposiciones en órdenes o directrices judiciales, como la tesis de "marco temporal", que sean incompatibles con los estándares y obligaciones internacionales en materia de derechos humanos de los pueblos indígenas y tribales. Al tiempo, recuerda garantizar el derecho a la consulta y el consentimiento libre, previo e informado de forma efectiva y oportuna.

La CIDH es un órgano principal y autónomo de la Organización de los Estados Americanos (OEA), cuyo mandato surge de la Carta de la OEA y de la Convención Americana sobre Derechos Humanos. La Comisión Interamericana tiene el mandato de promover la observancia de los derechos humanos en la región y actuar como órgano consultivo de la OEA en la materia. La CIDH está integrada por siete miembros independientes que son elegidos por la Asamblea General de la OEA a título personal, y no representan a sus países de origen o residencia.



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Comunicado de Imprensa 219/21 | ES

 

A CIDH reitera sua preocupação com a tese jurídica do "marco temporal" no Brasil e seu impacto sobre os direitos humanos dos povos indígenas e tribais

 

23 de agosto de 2021

 

 

Washington D.C. - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) reitera sua preocupação com a tese jurídica do "marco temporal" e adverte que esta poderia ter sérios efeitos sobre o direito de propriedade coletiva dos povos indígenas e tribais do Brasil. Em virtude do anterior, a Comissão lembra os parâmetros interamericanos aplicáveis ao assunto no marco dos processos judiciais em andamento.

Em sua última visita ao Brasil, a Comissão tomou conhecimento do desenvolvimento e aplicação da tese jurídica conhecida como o "marco temporal" pelo STF. De acordo com esta abordagem, nas reivindicações relativas ao direito de propriedade coletiva, os povos indígenas só teriam direito aos territórios ocupados na época da promulgação da Constituição Federal de 1988.

Em seu recente relatório Situação dos direitos humanos no Brasil, a CIDH destacou que esta tese tem sido aplicada pelos tribunais federais em várias decisões, levando ao cancelamento dos processos de demarcação. Em particular, a Comissão destacou os casos das terras Limão Verde e Buritim do povo Terena, assim como a terra Guyraroká do povo Guarani Kaiowá, todos no estado do Mato Grosso do Sul. A Comissão também observou que, em 2018, o STF aplicou a tese do marco temporal em relação ao território indígena Guyraroká, anulando processos de demarcação iniciados através de um relatório de identificação e delimitação de 25 de novembro de 2004. Neste último caso, a Comissão recebeu informações durante sua visita de 2019 de que a comunidade permanece fora da maior parte de seu território, ocupando atualmente menos de 5% da área identificada, com o risco iminente de despejo.

A respeito, a CIDH reafirma que a aplicação desta tese contradiz as normas internacionais e interamericanas de direitos humanos, em particular a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e a Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Em particular, porque não leva em consideração os inúmeros casos em que os povos indígenas foram deslocados à força de seus territórios, muitas vezes com extrema violência, razão pela qual não estavam ocupando seus territórios em 1988.

A CIDH lembra ao Estado o seu dever de proteger o vínculo que os povos indígenas e comunidades tradicionais ou tribais de origem africana, como os quilombolas, têm com suas terras e territórios, assim como com os recursos naturais e elementos incorpóreos que deles derivam. Como a Corte Interamericana apontou, precisamente devido a esta conexão intrínseca que os povos indígenas e comunidades tribais têm com seu território, a proteção do direito de propriedade coletiva, uso e desfrute sobre ele, é necessária para garantir sua sobrevivência. Além disso, a CIDH lembra que a Corte estabeleceu que os povos indígenas e tribais que perdem a posse total ou parcial de seus territórios mantêm seus direitos de propriedade, sem limite de tempo, enquanto subsistir sua relação fundamental com seu território ancestral.

Portanto, a Comissão Interamericana chama o Estado do Brasil, em particular o Supremo Tribunal Federal, a adotar as medidas necessárias para rever e modificar as disposições das ordens ou diretrizes judiciais, tais como a tese de "marco temporal", que são incompatíveis com os parâmetros e obrigações internacionais relativas aos direitos humanos dos povos indígenas e tribais. Ao mesmo tempo, lembra o Estado de garantir o direito à consulta e ao consentimento livre, prévio e informado de forma eficaz e oportuna.

A CIDH é um órgão principal e autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo mandato decorre da Carta da OEA e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. A Comissão Interamericana tem o mandato de promover a observância dos direitos humanos na região e de atuar como órgão consultivo da OEA nesta matéria. A CIDH é composta por sete membros independentes eleitos pela Assembléia Geral da OEA a título pessoal, e não representam seus países de origem ou residência.


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